EM BUSCA DA SAÚDE 4.0

 

Na Era Digital, em que a indústria 4.0 atua com os olhos no futuro, tornaram-se anacrônicos hábitos desconectados da longevidade humana, conquistada por meio do desenvolvimento de novas tecnologias no setor da saúde. Entretanto, em pleno século 21, grande parte da população mundial ainda se alimenta de forma nociva para o organismo.

 

Câncer, diabetes, doenças pulmonares e cardiovasculares matam 41 milhões de pessoas por ano — o equivalente a 71% de todas as mortes no mundo. São números que chamam a atenção para as chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) e estão no relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado em junho de 2018. Parte dessas doenças é decorrente de outra DCNT, a obesidade, mas passível de ser combatida se houver o envolvimento de todos os atores sociais: governo, empresas públicas e privadas, sociedade civil e ONGs.

 

Nos últimos anos, a OMS tem explicitado a preocupante escalada dessas doenças, que explodiram em países de baixa e média renda nas últimas duas décadas. Nas Américas, elas são responsáveis por 80% (5,2 milhões) de todas as mortes.

 

Alinhada à OMS, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) tem feito recomendações para os países da região, inclusive para o Brasil, com ênfase no equilíbrio entre a alimentação e atividade física.

 

Entre as iniciativas de âmbito mundial, a ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu como meta nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) reduzir em um terço o número de mortes prematuras causadas por DCNTs.

 

Vale destacar que, no ranking mundial de sobrepeso e obesidade, o Brasil figura entre outros países que têm registrado altas constantes nas estatísticas. Ainda que preocupantes, os números são inferiores aos de países como Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Chile e Canadá, mas as projeções são de que, no ritmo atual, o taxa de sobrepeso e obesidade no Brasil ultrapasse a dos Estados Unidos até 2030. Vale notar que entre 1975 e 2015 a taxa de obesidade e sobrepeso aumentou em 245% nos Estados Unidos e 346% no Brasil.

 

 

 

CENÁRIO BRASILEIRO

Aqui, dados do Ministério da Saúde mostram que, de 2006 a 2016, a obesidade da população cresceu 60% – passou de 11,8% para 18,9% – e o excesso de peso subiu de 42,6% para 53,8%. Ou seja, mais da metade dos brasileiros está acima do peso.

 

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), pelo menos 13 tipos de câncer têm grande relação com a obesidade e a alimentação inadequada, e mais de 15 mil casos poderiam ser evitados todos os anos se o excesso de peso e a obesidade fossem reduzidos, de acordo com estudos do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), realizado em colaboração com a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos.

 

No âmbito governamental, o Ministério da Saúde, em consonância com a OMS, vem desenvolvendo estudos e programas para prevenir as DCNTs, tendo, inclusive, desenvolvido o Guia Alimentar para a População Brasileira, e assumido compromissos junto ao organismo mundial.

 

CENÁRIO EMPRESARIAL

Em 2017, uma pesquisa encomendada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) mostrou que a maioria dos brasileiros, mesmo reconhecendo a importância e a efetividade da prática de exercício para a perda de peso, adota estratégias mais cômodas, como a exclusão de ingredientes da alimentação. Já o estudo realizado em 2018, pela mesma Fiesp, aponta contradições da população entre o discurso e a prática: 80% dos entrevistados afirmaram que se esforçam para ter uma alimentação saudável, entretanto, na hora de escolher entre um alimento mais saudável e outro com melhor sabor, 61% admitiram preferir os mais saborosos.

 

Os dados denotam a explosiva combinação de falta de exercícios com uma alimentação desbalanceada, terreno fértil para a maior prevalência das DCNTs.

 

Para as empresas, essa realidade impacta principalmente de três formas nos negócios: maior absenteísmo, queda de produtividade e acentuada despesa com assistência médica dos colaboradores, benefício que, em função da alta procura pelos serviços, vem sofrendo sistematicamente reajustes elevados, muito superiores aos índices de inflação.

 

Todo esse quadro pode ser mudado a partir da adoção de normas e práticas corporativas diferenciadas, tanto por parte das empresas que possuem restaurantes próprios como daquelas que aderem ao voucher-alimentação.

 

Ao atuar na promoção de uma melhor alimentação para seus colaboradores, as empresas desempenham um papel que vai além dos negócios, em prol da sustentabilidade: contribuem com a mudança de hábitos alimentares dos colaboradores – muitas vezes, extensiva à família –, com a prevenção de doenças crônicas e, consequentemente, com a saúde no longo prazo. Além disso, ajudam na redução de desperdícios de alimentos.

 

ALIMENTAÇÃO 4.0

O programa Alimentação 4.0 criado pela ABPASS visa contribuir na definição de normas, práticas e ações educacionais, sustentáveis e saudáveis e que favoreçam a melhoria da saúde dentro das organizações empresariais.

 

Não restam dúvidas de que um dos principais agentes condutores dessa mudança é a área de Recursos Humanos, pois, nela, são definidas as estratégias e políticas de gestão de pessoas para a convergência dos lucros e resultados com a sustentabilidade do negócio. Uma sustentabilidade que implica o bem-estar e a saúde dos colaboradores.

 

É para esse público que, na primeira etapa de esforços, a ABPASS, em parceria com a ABRH Brasil, ASAP e ABBT, desenvolveu este guia. Ele leva em consideração que as obrigações e particularidades já bem definidas no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador não precisam ser reforçadas. Foi considerado também que as normas da ANVISA e outros Órgãos e entidades, relacionadas à segurança alimentar, dispensam reforços nesse Guia, para evitar o risco de se perder o foco na prevenção da saúde através da alimentação saudável e adequada.

 

Nosso propósito é orientar e dar suporte aos profissionais de Recursos Humanos na escolha e no gerenciamento da melhor alimentação para os colaboradores.